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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sementina, flor menina (tecido e bordado)

No campo de algum lugar
Vivia um monte de mato...
Disse mato? Desacato!
Se todo capim é mato,
Nem todo mato é capim...
Mas esse mato era, sim,
Nascido nesse lugar,
Cuja história vou contar:
Não uma história vulgar,
Igual a outras, assim,
Mas a vida do capim
E não de todos, enfim,
Somente de uma semente
E a história começa assim:

Se junta capim num susto:
Sem trabalheira e sem custo,
Bastando que a chuva caia
E quando menos se espera
Nem se não for primavera
O capinzal já se espraia...

Essa semente era filha
De mãe de grande família
Apesar da pouca idade.
O pai, novinho tambem,
Nem todos tratava bem,
Detestava novidade!

Matagal abandonado,
Tanto mato relaxado,
Crescendo por todo lado,
Sendo tudo mal criado!

Semente, ainda na espiga,
Já começava a intriga
Prá ver quem podia mais:
Um batia, outro apanhava,
O pai então se danava
E assim ninguem tinha paz...

Então, surge, de repente,
Nossa heroína semente
No meio da confusão.
Não conseguiu ter agrado:
- Estou no lugar errado!
Pensou com seu coração.
Olhando praquilo tudo,
Resolveu: "Daqui me mudo!"
Com toda convicção.

Ficava sempre fechada,
Cercada pelos irmãos.
Quando era provocada,
Comia a provocação.
Nunca brigava por nada.
A tudo renunciava
Ou então se consolava
Dizendo: "Não quero, não..."

Dormia muito e sonhava
Todo tempo que podia.
Só podia o que sabia,
Não sabia o que esperava...

Um dia, estava sonhando
E sentiu passar voando
Duas asas de beleza
Pousando prá descansar...
Aproveitando o descanso,
Perguntou, com jeito manso:
- Poderia, vossa alteza,
Me ensinar a voar?

A monarca, sendo bela,
Era tambem já sofrida
E ficou tão comovida
Que logo falou com ela:
- Tente ser levada ao vento,
Espere o melhor momento,
Se jogue na ventania!
Vá em busca de alegria!

- Sou grata a vossa bondade!
Ganhei oportunidade
De mudar a minha sina!
- Não tem de quê, pequenina...

E assim, no vento levada,
Sumiu dali a menina...
Ninguem nunca soube nada
Da semente peregrina.
Mas a dona borboleta,
Que me contou essa história,
A mim revelou a glória
Da sementinha xereta:

Chegou bem longe dali
E adormeceu de cansada.
Em terras que nunca vi,
Aos poucos foi enterrada.

Quando acordou, era escuro,
Quentinho e aconchegante,
Sentia-se muito bem...
Olhando prá cima: um furo,
Que alcançou nun instante.
Saiu e não viu ninguem...
Sentiu, então, a si mesma:
Achou-se bem diferente.
No ar, de leve, um odor...
Viu a seu lado uma lesma
Que dizia ao sol nascente:
- Olha: nasceu outra flor!

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